BTT no deserto. Afinal havia outra… (I)
por Filipe Duarte Santos, Publicado em 02 de Maio de 2010
Esta semana o jornal i acompanha em Marrocos a quinta edição da Titan Desert, uma das mais difíceis de corridas de BTT do Mundo – areia, pedra, pó, cinco etapas e mais de 500 kms entre Erfoud e Ouarzazate, às portas do Sahara. Siga o diário.
http://www.ionline.pt/ifotogaleria/58023-37719-btt-no-deserto-afinal-havia-outra-iDomingo. O despertador toca às sete da manhã, o sol já se levantou há quase uma hora e há uma luz bonita, cortada pela neblina, que dá um toque sereno à paisagem seca e acastanhada. Quase não se dormiu, os oito portugueses que estão entre os mais de 339 inscritos na Titan Desert fizeram duas escalas para aterrar em Ouarzazate e só às quatro da manhã foram para a cama. Miguel Arrobas, ex-olímpico de Barcelona e agora nadador de águas abertas (Gibraltar, Canal da Mancha, Golfo de Gabes) convidado para a integrar a equipa Nissan portuguesa, abdica do treino de natação matinal (sim, por enquanto ainda há piscina, mas o descanso é o melhor que pode fazer nesta altura).
A alimentação ajuda. Ovos, pão, panquecas, doces… calorias para queimar na semana que aí vem. Seguem-se mais três horas de autocarro, até Erfoud, sempre a contornar o Atlas, a furar as aldeias onde os velhos e as crianças se agacham nas sombras junto à estrada a ver os carros e o calor passar. São dez da manhã e já estão uns 30 graus. É em Erfoud que começa a primeira etapa, amanhã, é aí que se encontra o acampamento junto a ao Hotel Xaluca. Os atletas são recebidos com a música e o folclore local. Os quartos, as salas de chá, as tapeçarias, as paredes de barro cozido com palha atiram-nos para um tempo que não parece nosso.
No meio de atletas que treinam há seis meses com o objectivo de terminar a Titan Desert, ouvem-se basicamente as palavras “comer” e “hidratar”. Almoço. Depois da barriga cheia o tempo é pouco, montam-se as máquinas que a organização entretanto já tinha embarcado, Felipe é o mecânico espanhol capaz de transformar um par de rodas, um quadro de carbono e uma série de instrumentos numa bicicleta que pode custar mais de 5 mil euros. “Tenho que lhe montar os cornos”, explica, quando fala daquelas extremidades que se encaixam no guiador.
Por falar em animais, ouve-se zurrar. Um burro puxa uma carroça na estrada. Talvez Félix, um argentino que vem dos arredores de Buenos Aires, pudesse aproveitar, a sua bicicleta perdeu-se na escala em Roma e ainda não sabe se vai iniciar a corrida, quanto mais cumprir o sonho da maior parte desta gente: acabar. É nisso que pensam os portugueses quando, ao final da tarde, saem finalmente do acampamento para umas pedaladas que lhes soltam as pernas. Adivinhe o que se faz logo se seguida: comer e dormir, porque às 7h da manhã será dado o tiro de partida.
Os portugueses (equipa Nissan Sea Titans)
Miguel Arrobas (ex-nadador Olímpico, nadador de águas abertas
Ricardo Diniz (velejador solitário)
Paulo Quintans (comercial e jornalista)
Nuno Margaça (editor)
Principais inscritos
Lauren Jalabert (vencedor da Volta à Espanha, campeão do mundo de contra-relógio)
Nicolas Jalabert (irmão de Laurent Jalabert, ciclista profissional)
Abraham Olano (vencedor da Volta à Espanha, campeão do mundo de contra-relógio)
Roberto Heras (vencedor de três edições da Volta à Espanha)
Melcior Mauri (vencedor da Volta à Espanha, ex-ciclista do Benfica)
Últimos vencedores
2009 Israel Nunez
2008 Roberto Heras
2007 Melcior Mauri
2006 Pedro Vernis